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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Maratona se inicia no aeroporto...

Escrevi no novembro do ano passado que ter algum preparo físico pode ser essencial para resolver problemas numa viagem.
http://viajantetotal.blogspot.com/2009/11/ser-maraturista.html

Só não imaginava que esta constatação faria tão sentido 15 dias depois, quando embarquei pela primeira vez aos Estados Unidos. Instrução básica, ainda mais reforçada quando viajamos para os States: JAMAIS deixe que outra pessoa feche sua mala. E eu não segui a recomendação. Como sempre, arrumei as malas de última hora e, pedi para o meu pai trancar a mala, ainda dentro de casa. No aeroporto, depois que o despache já estava feito, meu pai me pergunta: "pegou a chave da mala?". Obviamente que não. Até pedi pros staffs da American Airlines verificarem se a chave estava presa na minha mala. Com a resposta negativa, não havia mais o que fazer. Fui pra sala VIP tomar um café com meus pais, já pensando como faria para abrir a mala em solo americano. Possívelmente, teria de destruir a minha mala de estimação.

Decidi deixar a dor de cabeça para quando chegar em Los Angeles, e curti o vôo de Guarulhos (GRU) ao Aeroporto de Dallas-Forth Worth (DFW), onde faria conexão para a Califórnia. Uma vez retirada a mala e feita a imigração de forma tranquila, tinha cerca de uma hora até o próximo embarque. Consultei os funcionários do aeroporto para redespachar a minha mala trancada, contendo diversos itens proibidos enquanto bagagens de mão. Eis que, não sei quem entendeu errado enquanto eu tirava as minhas dúvidas, mas quando percebi, eu já estava na área de segurança. Obviamente, fui barrado. Tentei explicar a situação sem tanta confiança no meu inglês, mas os policiais foram bem compreensivos e gentis, pedindo para que eu aguardasse. Dentro de alguns minutos (que para a minha percepção eram longos e rápidos ao mesmo tempo!!), chegou um perito com seu molho de chaves, que observou a minha mala, escolheu uma chave, e conseguiu abrí-la de primeira.

O policial retirou da minha mala alguns itens como protetor solar, xampus, etc, e rapidamente iria trancar a mala de novo para me liberar. Pedi, quase implorei, para que não trancasse a mala de novo, e agradeci a toda a equipe. Vi o meu relógio. 7h19m. Eu teria 11 minutos para chegar até a plataforma. Ah, como é bom pegar vôo internacional dos aeroportos de Cumbica ou Salgado Filho em Porto Alegre, onde a plataforma fica logo depois da área de segurança... Como tudo que há no Estado do Texas, o Aeroporto de Dallas-Fort Worth é gigantesco (o maior do Texas, segundo dos Estados Unidos, o terceiro do mundo, e com área total maior que a ilha de Manhattan). Era necessario correr. E ainda pegar monotrilho de um terminal pro outro.


Aeroporto de Dallas Fort Worth (by Wikipedia)


E finalmente aqui que entra a questão do meu preparo físico. Uma das maiores vantagens de ser um atleta é que dependendo da situação, é possível dissociar funcionalmente a cabeça do corpo. Ou melhor dizendo, ligar o "piloto automático" no corpo para um movimento que não seja muito complexo, e ao mesmo tempo, deixar a cabeça livre para pensar no próximo passo, com calma e frieza. Ora, na hora que saí da área de segurança pra começar a correr, eu nem sabia que teria que pegar o monotrilho. E quando cheguei à plataforma de monotrilho, ainda teria de descobrir qual o sentido que era mais próximo do terminal que eu estava. Do jeito que costumo ficar desesperado para realizar tarefas em curto espaço de tempo, fiquei surpreso comigo mesmo, de como estava calmo, durante a corrida ou durante o "passeio" no monotrilho.




Fotos do monotrilho Skylink que tirei no meu retorno ao Dallas-Fort Worth, na ocasião da conexão que fiz no vôo de Tucson (Arizona) para Miami (Flórida).

Sem falar que, se eu não tivesse a resistência física para percorrer este trecho carregando a minha mala que na verdade era pra ser despachada (ainda bem que era pequena e leve), sobraria a mim, sentar e chorar. Literalmente.

Deu tudo certo, e no fim, não foi necessário destruir a minha mala de estimação, que me acompanha nas viagens desde 2005, a primeira vez que viajei de avião, ao se desconsiderar vôos na infância.

A mala "hard case" azul. Na foto, durante um congresso em Lisboa (2005)

Já a segunda passagem pelo Aeroporto de Dallas-Fort Worth foi agradabilíssima, mas como o tempo de conexão era curto, tive que dar umas corridinhas para poder ver as lojas. Depois de exagerar nas curiosidades, quando eu já estava de novo correndo para a plataforma, de repente, escuto risos, e um vulto escuro aparece rolando no meu caminho.



Era o Rolling Laughing Dog. Não tive tempo de comprar esse brinquedo neste momento (uns dez dias antes do Natal), e depois tive que percorrer quase 20 Estados americanos para finalmente encontrá-lo outra vez, para comprar. Possívelmente foi um sucesso de vendas no Natal, esgotando em quase todas as praças.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Foto Clube - Mc Donalds pelo Mundo - Parte 2

Alguns Mc Donalds dos Estados Unidos, em três Estados diferentes, e afastados, um do outro:

Quando estou no Brasil, dificilmente vou para esta rede de fast-food, mas quando estou em outros países, sempre dou uma passadinha para ver se existe um cardápio especial, como o Mc Fish (File O'Fish) de Bacalhau, em Lisboa .

Nos Estados Unidos, é inevitável passar por lá algumas vezes, principalmente se há convergência de condições especificas como: viagem em grupo, tempo escasso, necessidade de alimentação rápida na estrada, e economia. Lógico que, tendo um pouco de paciência, conhecimento e curiosidade, e gastando só um pouquinho a mais, é possível se alimentar muito bem nos Estados Unidos. Mas isso é assunto pra outros artigos.

Aqui, três Mc Donalds, de arquiteturas diferentes, que eu não entrei para comer.



Dezembro/2009 - Até a Calçada da Fama, Hollywood, tem seu Mc Donalds (Los Angeles, CA)



Janeiro/2010 - Até a Disney World tem seu Mc Donalds (Lake Buena Vista, FL)

Janeiro/2010 - Mc Donalds em Chicago (IL), a Cidade dos Ventos

segunda-feira, 29 de março de 2010

Deep-Dish Pizza, de Chicago

Um dos assuntos que eu e a Isabella discutimos com alguma freqüência durante nossas caminhadas (que também serve de reunião para pensar em assuntos deste blog) é sobre qual é a melhor pizza do mundo. Na verdade, para mim, pouco interessa saber se existe “uma” melhor pizza do mundo, mas sim, experimentar todas, e descobrir qual o aspecto que cada pizza tem de especial.

Sempre defendi que a pizza italiana é mais saborosa que a paulistana. Até coloco como pontos a favor a criatividade dos nossos pizzaiolos e a fartura e variedade características das nossas pizzas paulistanas. Porém, o meu critério fundamental é a compatibilidade do alimento em relação ao seu ambiente de origem e/ou desenvolvimento. Acredito que cada alimento tem uma razão em surgir, ou ser adotado e aperfeiçoado numa determinada região. Seja simplesmente por causa da matéria prima, ou por causa do clima. Como um exemplo básico, em lugares muito quentes e úmidos, não se faz sucesso um prato quente e bem gorduroso. No caso da pizza italiana (e isso porque ainda não provei a napolitana legitima), a qualidade da matéria prima local: o frescor do tomate e a textura do queijo, são imbatíveis, e perfeitamente adequados ao clima mediterrâneo. E a simplicidade da pizza marguerita conta a favor.

Após uma longa introdução, corro o risco de entrar em contradição.

Afinal, a minha nova descoberta é o Deep-Dish Pizza, uma das adaptações da cidade de Chicago para este prato mundialmente famoso. Como diz o nome, é uma pizza feita num prato (ou melhor, uma panela) fundo, e tem borda de cerca de 3 polegadas (aproximadamente 7,5 cm) de altura, repleta de recheio (molho de tomate, queijo, carnes, verduras, cogumelos, cebola, pimentão, etc.). É praticamente impossível saborear sem talheres, pois a massa é fina para tanto recheio.



Tinha que ser invenção de um texano, que não se contenta com coisas pequenas. Ike Sewell, fundador da Pizzeria Uno, lançou este estilo de Pizza em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. Fez muito sucesso ao longo da década, pois uma única porção alimentava varias pessoas, num período difícil pós guerra. De fato, uma porção pequena é suficiente para dois adultos. Não há azeite na mesa, mas o garçom oferece uma porção de óleo vegetal, suave e saboroso, muito diferente do que temos no Brasil, e que combina bem com a Deep-Dish Pizza.

Vale acrescentar que experimentei este prato num dia chuvoso em pleno inverno (janeiro) na “Cidade dos Ventos”, como é conhecida Chicago, com razão. Para “melhorar”, uma caminhada de quase 30 minutos, partindo da Sears Tower (atual Willis Tower), um dos pontos turísticos da cidade. Por fim, o tempo de espera até o prato ficar pronto também não é pouco, mas valeu a pena toda a jornada para ter esta nova descoberta gastronômica.

Perto da Pizzeria Uno, se localiza a primeira filial: a Due, fundada em 1955. Hoje em dia, pode se saborear o prato em diversos Estados, inclusive por Delivery.



Quanto a questão de qual é a melhor pizza do mundo para o meu paladar, temos um belo duelo entre a fartura (Chicago) e a simplicidade (Itália). Mas cabe questionar se a Deep-Dish Pizza pode mesmo ser considerada uma pizza. Por mais delicioso que seja, por mim, não saberia contra-argumentar, se alguém disser que “não é pizza”. Os napolitanos que o digam...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Disney All Star Resorts

Recentemente houve a exibição dos filmes Toy Story e Toy Story 2 em versão 3-D, em curtíssima temporada, como uma espécie de prévia de Toy Story 3, com lançamento previsto para junho. Nunca tinha assistido a este filme antes, e instantaneamente me tornei fã do desenho. Por coincidência, quando estive na Disney World no começo do ano, fiquei hospedado no All Star Movies, exatamente no setor Toy Story, onde, mesmo sem conhecer, fiquei encantado com os personagens Woody e Buzz Lightyear gigantes, no alojamento construído como se fosse o quarto do garoto Andy, do desenho.
Veja mais fotos no site oficial: http://disneyworld.disney.go.com/resorts/all-star-movies-resort/

Tudo bem que Orlando tem diversas alternativas de lazer como os diversos outlets e os outros parques temáticos como Universal Studios e Sea World. Porém, se o objetivo principal da estada em Orlando for mesmo levar as crianças (inclusive aquela que "mora dentro de você") pra Walt Disney World Resort, acredito que se hospedar no Disney All Star Resorts, é uma excelente opção, principalmente para quem deseja correr a Maratona Disney em janeiro (que foi o meu motivo de viagem).

Os All Star Resorts se localizam dentro do próprio complexo da Disney World, no Animal Kingdom. São opções econômicas, e existem o All Star Movies, All Star Music e o All Star Sports, um do lado do outro, com arquitetura semelhante, mudando apenas a decoração interna e externa.

Ao entrar no quarto, toalhas em formato de personagens Disney para te recepcionar. Não há Wi-Fi. A internet é a cabo, e a um preço não tão acessível. O Frigobar também é opcional. Tudo pra não reter a criançada no quarto, e fazer eles aproveitarem o seu tempo nos parques, consumindo a grande variedade de produtos. Dos resorts, saem ônibus gratuitos para qualquer um dos parques, e o cardkey serve como cartão de crédito, quando desbolqueados. A programação televisiva é direcionada. Muitos canais originais da Disney, com muita propaganda do parque, além de previsão do tempo de Orlando. Já eu me diverti bastante assistindo ao campeonato de Sumô num canal japonês, que era um mix de diversos canais diferentes, incluindo a NHK.



Cada resort possui também um restaurante e piscinas aquecidas. No restaurante, uma variedade razoável de comidas fast-food. Para a bebida, basta comprar o copo acima, para beber sucos, refrigerantes e bebidas quentes à vontade. Há inclusive colecionadores, que voltam todos os anos para colecionar o copo acima.

Como lembrança da minha primeira Maratona Disney, que foi a mais fria da História (alias, um frio histórico atingiu o leste dos EUA neste ultimo inverno), encomendei a seguinte caricatura para um dos diversos artistas que trabalham no Hotel.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Filme: Up in the Air (Amor Sem Escalas)


Depois de deixar a Isabella sozinha do blog por mais de dois meses, finalmente estou de volta. Fui pela primeira vez aos Estados Unidos, fiquei lá durante quase dois meses, passei por 25 estados (o que obviamente não quer dizer automaticamente que eu “conheço” 25 estados), e corri 12 maratonas em 6 estados. Mais de 500 km corridos nas provas, e mais de 20.000 km percorridos de carro ou avião. Uma viagem inesquecível.

Também foi a primeira vez que voei pela American Airlines (AA). Em dezembro, durante a minha viagem de ida de São Paulo para Dallas, sede da AA, onde eu faria conexão para Los Angeles, houve uma propaganda intensa de um filme chamado “Up in the Air” (Amor sem Escalas), protagonizado por George Clooney. Logo, vendo a American Way, revista de bordo da AA, descobri que o filme, baseado no livro homônimo, retrata a vida de um homem que vive viajando a trabalho, e uma das suas alegrias é acumular milhas, para ser um cliente diferenciado (programa de fidelidade). O filme tem uma substancial participação/exposição de empresas como Chrysler, Hertz, Hilton Hotels, além da própria American Airlines.

A seguir, alguns COMENTARIOS SOBRE O FILME. Não pretendo contar sobre a história em si. Mas é um filme que retrata um viajante, suas técnicas, suas manias, criticando, satirizando e estereotipando. Se você ainda não assistiu e quer sentir o gostinho de se identificar dentro do filme, NÃO siga adiante, pois pode conter SPOILER.

Além da sua profissão original, Ryan Bingham (George Clooney) ministra palestras motivacionais como o tema “O que você tem na sua mochila”? O componente concreto que forma esta analogia é baseada na sua experiência de passar boa parte da sua vida em aviões ou nos hotéis. Ele se mostra muito prático na hora de passar pelo Airport Security (detector de metais, etc). E no momento que ele viaja com sua nova colega de trabalho, não agüenta ver ela brigando com sua mala gigante e dá uma aula de “descarte”, começando pela compra de uma mala pequena.

Foi divertido ver este filme, pois passei por diversos lugares e situações mostrados durante seus 109 minutos. Primeiro filme que assisto após conhecer in loco, a cultura norte-americana, entendi várias sacadas que passariam despercebidas antes da minha viagem. Sem falar da localização geográfica e aspectos climáticos das diversas cidades. A cada “motel” (que nos EUA significa motor + hotel, ou seja, hotel para viajantes de carro) que nós passávamos, ficava curioso em me inscrever nos programas de fidelidade para acumular pontos. Atualmente, tenho apenas o A❘Club, da rede Accor Hotels.

No filme, há uma cena em que se faz uma disputa de quem tem mais cartões de fidelidade, ou cartões mais valiosos. Coisas que, se por um lado são claramente úteis, vendo desta forma, parece tão insignificante, principalmente quando ocorre uma inversão de valores, nos tornando “escravos” dos programas de fidelidade.

Um trecho de diálogo que me chamou muita atenção, foi quando as personagens começaram a falar seus destinos usando códigos dos aeroportos. Por exemplo, dizer que viajei de GRU para MIA, pra dizer que viajei de Guarulhos para Miami, ou que o meu itinerário foi de VCP para NVT, quando saí de Viracopos, com destino a Navegantes. Bela sacada. Também dei muita risada com a citação: “Por que não gosto da (locadora de carros) Hertz? Porque não há garantia de ter GPS”. Não que os demais serviços da empresa sejam ruins, muito pelo contrário. Mas este foi um aspecto que tivemos problemas.

Se por um lado as manias dos "viajantes" é bem ilustrada no filme, há também a mania dos "não viajantes". Existem pessoas que não podem viajar, mas isso não as impede de ter fotos personalizadas do mundo todo. Um leitor da revista Viagem e Turismo faz algo semelhante ao que acontece no filme, mas usando um carrinho de brinquedo.

Destaco também a homenagem feita ao filme ao Aeroporto Internacional de Lambert-St. Louis, Missouri, pela sua importância na História da Aviação.

Um aspecto curioso é a tradução que este filme recebeu em diversos países. Sinceramente, entendo que a tradutora brasileira “viajou” em colocar o título como “Amor sem Escalas”. Em Portugal, o título é “Nas Nuvens”, como o “Tra le Nuvole”, italiano. Acho que o “My Mileage, My Life” do Japão, é o que mais pegou o espírito da história, nos casos em que não se adotou o título original. Em tempo, “programa de milhagem” em inglês se chama “Frequent-flyer Program” (FFP).

(...)

Bom, após assistir ao filme e escrever esta breve resenha, pesquiso notícias sobre o filme e descubro que é um dos indicados ao Oscar®. De fato gostei muito deste filme, mas fico com uma pontinha de impressão de que a concorrência deixa a desejar, para este filme ser indicado para Melhor Filme. A grata surpresa foi a atuação de Anna Kendrick, que nas breves aparições em “Crepúsculo”, notei apenas como um “rosto bonitinho”, mas dá um show de interpretação neste filme.