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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Encontro dos Rios - Teresina

Um dos locais famosos de Teresina é onde as águas do Rio Parnaíba se encontram com as do Rio Poti. Supostamente, onde morava o pescador Crispim, protagonista da lenda do Cabeça de Cuia, de Piauí. Hoje, Parque Ambiental Encontro dos Rios.

Monumento ao Cabeça de Cuia, na entrada do Parque.

Segundo a lenda, certo dia, o pescador voltou para casa frustrado por um dia improdutivo, e pediu comida para a sua mãe. Como não havia nada, a mãe serviu uma rala sopa com osso de boi. Crispim se irritou, e acertou sua mãe com o osso. A velha, com as últimas forças, amaldiçoou Crispim a vagar pelos rios como um monstro de cabeça gigante, como se tivesse uma Cuia na cabeça. A maldição se quebrará apenas quando o "Cabeça de Cuia" devorar (ou desvirginar, conforme a versão) sete Marias virgens. Desde 2003, comemora-se na última sexta-feira do mês de abril, o Dia do Cabeça de Cuia.

No Parque, há algumas atrações como o Museu dos Rios, Restaurante Flutuante, lojas de produtos artesanais, playground, mirantes, locais para pesca, além de poder entrar em contato com a fauna e a flora local.

Exemplares de peixes, no Museu dos Rios

Passeios de Barco pelos rios Parnaíba, Poty, e o encontro dos Rios: R$ 3,00

Restauante Flutuante

Manjuba com molho tártaro

Peixada de Pescada Amarela

Pôr do sol do Rio Poty

segunda-feira, 29 de março de 2010

Deep-Dish Pizza, de Chicago

Um dos assuntos que eu e a Isabella discutimos com alguma freqüência durante nossas caminhadas (que também serve de reunião para pensar em assuntos deste blog) é sobre qual é a melhor pizza do mundo. Na verdade, para mim, pouco interessa saber se existe “uma” melhor pizza do mundo, mas sim, experimentar todas, e descobrir qual o aspecto que cada pizza tem de especial.

Sempre defendi que a pizza italiana é mais saborosa que a paulistana. Até coloco como pontos a favor a criatividade dos nossos pizzaiolos e a fartura e variedade características das nossas pizzas paulistanas. Porém, o meu critério fundamental é a compatibilidade do alimento em relação ao seu ambiente de origem e/ou desenvolvimento. Acredito que cada alimento tem uma razão em surgir, ou ser adotado e aperfeiçoado numa determinada região. Seja simplesmente por causa da matéria prima, ou por causa do clima. Como um exemplo básico, em lugares muito quentes e úmidos, não se faz sucesso um prato quente e bem gorduroso. No caso da pizza italiana (e isso porque ainda não provei a napolitana legitima), a qualidade da matéria prima local: o frescor do tomate e a textura do queijo, são imbatíveis, e perfeitamente adequados ao clima mediterrâneo. E a simplicidade da pizza marguerita conta a favor.

Após uma longa introdução, corro o risco de entrar em contradição.

Afinal, a minha nova descoberta é o Deep-Dish Pizza, uma das adaptações da cidade de Chicago para este prato mundialmente famoso. Como diz o nome, é uma pizza feita num prato (ou melhor, uma panela) fundo, e tem borda de cerca de 3 polegadas (aproximadamente 7,5 cm) de altura, repleta de recheio (molho de tomate, queijo, carnes, verduras, cogumelos, cebola, pimentão, etc.). É praticamente impossível saborear sem talheres, pois a massa é fina para tanto recheio.



Tinha que ser invenção de um texano, que não se contenta com coisas pequenas. Ike Sewell, fundador da Pizzeria Uno, lançou este estilo de Pizza em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. Fez muito sucesso ao longo da década, pois uma única porção alimentava varias pessoas, num período difícil pós guerra. De fato, uma porção pequena é suficiente para dois adultos. Não há azeite na mesa, mas o garçom oferece uma porção de óleo vegetal, suave e saboroso, muito diferente do que temos no Brasil, e que combina bem com a Deep-Dish Pizza.

Vale acrescentar que experimentei este prato num dia chuvoso em pleno inverno (janeiro) na “Cidade dos Ventos”, como é conhecida Chicago, com razão. Para “melhorar”, uma caminhada de quase 30 minutos, partindo da Sears Tower (atual Willis Tower), um dos pontos turísticos da cidade. Por fim, o tempo de espera até o prato ficar pronto também não é pouco, mas valeu a pena toda a jornada para ter esta nova descoberta gastronômica.

Perto da Pizzeria Uno, se localiza a primeira filial: a Due, fundada em 1955. Hoje em dia, pode se saborear o prato em diversos Estados, inclusive por Delivery.



Quanto a questão de qual é a melhor pizza do mundo para o meu paladar, temos um belo duelo entre a fartura (Chicago) e a simplicidade (Itália). Mas cabe questionar se a Deep-Dish Pizza pode mesmo ser considerada uma pizza. Por mais delicioso que seja, por mim, não saberia contra-argumentar, se alguém disser que “não é pizza”. Os napolitanos que o digam...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Bolo de Rolo (Pernambuco)

O que é?
Bolo de rolo é um doce típico de Pernambuco, que consiste numa massa de farinha de trigo, ovo, açúcar e manteiga, enrolada com recheio de doce de goiaba derretida, apresentando uma aparência semelhante a de um rocambole (mas NÃO É!), mas com as camadas bem finas. Isso garante textura e paladar especiais. É uma das atrações imperdíveis de Recife para aqueles que praticam turismo gastronômico, e também pode ser uma agradabilíssima surpresa para aqueles que, mesmo desavisados, não resistem a "comidinhas" durante suas viagens.
Desde 2007, é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco.

Origem:
É uma adaptação do doce português "colchão de noiva", feito com pão de ló e nozes (ou amêndoas). Este recheio foi substituido pela goiaba, fruta abundante na região. Também se utiliza muito açúcar para dar um toque final neste doce. Vale lembrar a importância da produção de cana na região, durante o Período Colonial.

Onde?:
O bolo de rolo pode ser encontrado em diversas confeitarias ou mercados de Pernambuco, mas a mais famosa é a da Casa dos Frios, que completou 50 anos de existência, em 2007. Neste século, foram introduzidos mais cinco sabores, além da tradicional Goiaba: Doce de leite, Maracujá, Ameixa, Chocolate e Nozes. Na minha estada em Recife, não tive chance de visitar a matriz, mas a empresa tem uma lojinha no andar de embarque, no Aeroporto Internacional de Guararapes. Uma excelente opção para lembranças de última hora.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Prato da Boa Lembrança

Estive em Recife no último feriado, a convite do maratonista Júlio Cordeiro. Fui correr a Meia Maratona Ecológica da ACORJA (Associação dos Corredores da Jaqueira, com sede no bairro recifence de mesmo nome), junto com vários amigos corredores.

Infelizmente não foi desta vez que experimentei a famosa "buchada de bode" (viajar num grupo de atletas tem suas desvantagens), mas entre tapiocas, bolo de rolo, "cartola" e camarão na moranga, tive a chance de conseguir o meu primeiro "Prato da Boa Lembrança". E não a desperdicei.
Local: Oficina do Sabor - Olinda
Prato: Tilápia Maré Cheia (Tilápia Frita com macarrão
tipo gnocchetti Petybon, camarões e molho especial.


O que é o "Prato da Boa Lembrança" ?

O Prato da Boa Lembrança, surgiu da idéia do Chef Danio Braga, fundador, e atual vice-presidente da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança. O nome é auto-explicativo.
Quando temos uma experiência marcante, muitas vezes queremos guardar uma recordação deste momento. Uma concha encontrada na praia, a rolha de um belo vinho, o programa de um espetáculo, até os souvenires convencionais que encontramos a venda. Mesmo quem diz que não gosta de guardar bugigangas, dificilmente escapa de tirar uma foto, registrar num diário ou blog, jogar uma moeda na Fontana de Trevi (Roma), ou até mesmo atos de vandalismo como deixar sua assinatura em construções famosas, na esperança de encontrar sua marca na ocasião de seu retorno ao local do crime.
No caso deste criativo brinde, "basta" conhecer um dos restaurantes associados, e pedir o prato em destaque no cardápio. Cada casa tem uma especialidade, que geralmente muda de um ano para outro. A refeição é servida num prato comum, individual, numa quantidade compatível a um modo meu de pensar: "a porção ideal é aquela que não te deixa triste ou arrependido, após a felicidade momentânea de estar com a barriga cheia". E, com sobremesa ou não, enquanto você ainda se delicia com os vestígios de sabor se transferindo do paladar para a memória, o garçon traz à você, a lembrança material desta experiência gastronômica, o prato de cerâmica (foto acima), colecionável.
E por que apesar de saber desta Associação há algum tempo, apenas agora conquistei a minha primeira peça? Obviamente, nem sempre o preço está a favor dos colecionadores "starters". Desta vez, achei o preço "convidativo" (R$ 46 com o brinde), e decidi experimentar. Detalhe: em sites de leilão virtual, os colecionadores fazem seus negócios em torno de R$ 100 pra cima. Há quem critique a "modinha", mas é bem mais justo que arrancar a orelha do Moai, na Ilha de Páscoa.
Fiquei surpreso que a sede da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança fica exatamente no Bairro da Jaqueira, em Pernambuco. Aliás, o restaurante "Oficina do Sabor", famoso pelos seus pratos servidos no jerimum (moranga), tem como responsavel, o Chef Cesar Santos, presidente da Associação.